Quinta-feira, Julho 02, 2009

Curiosidade sobre os kirtans

Trecho extraído do livro O poder do mantra, Ricardo Melo e Caio Melo.

Não poderíamos deixar de lado alguns ensaios de kirtans que realizamos durante a estruturação desta obra. Esses episódios fizeram com que perdêssemos algumas noites de sono. Em especial, citamos a primeira, em que estávamos na Unidade Kobrasol e ensaiamos até uma hora da manhã depois de um já longo e prazeroso dia de trabalho.

Cada um chegou em casa e demorou horas para dormir, imaginando se o mesmo acontecia com o outro. No dia seguinte, bastou apenas um olhar e deixamos uma longa risada sair, sucedida de um silêncio de ambas as partes.

Aprendemos algo importante sobre os kirtans naquele dia. Passamos a usar as noites de pouco sono para escrever, pois nunca paramos de ensaiar! Essa história ilustra o poder dos mantras, nesse caso, mais especificamente dos kirtans.

Pode-se utilizar isso de forma extremamente positiva. Por exemplo, quando estiver cansado ou com sono, que tal usar as substâncias que seu corpo pode produzir sozinho através das técnicas do Yôga Antigo? Os kirtans são fenomenais para isso!

Como dica, fica aqui o aviso: ter cuidado e não exagerar se tiver que dormir cedo ou algo parecido. Ou, pelo menos, tenha consciência de que essa extroversão é um efeito natural da técnica, que por sua ação predominantemente psicológica proporciona o dinamismo e a comunicabilidade.

Ricardo Melo e Caio Melo

Livro O poder do mantra

São quatro horas da manhã e consegui terminar a re-revisão do livro O poder do mantra, dos colegas Ricardo Melo e Caio Melo. Apesar de ter dado trabalho, eu o fiz com prazer graças ao cuidado que os autores tiveram em assinalar todas as correções para que o meu trabalho fosse facilitado. Obrigado pela consideração. Agora é sinal verde para a impressão. O livro está ótimo e corrigidíssimo!

DeRose

www.uni-yoga.org/blogdoderose


Sexta-feira, Junho 26, 2009

Lágrimas

Se esta colheita é fruto da minha plantação, acho que deixei cair umas sementes de lágrimas no fértil solo...

Ricardo Melo

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Reflexão

O certo, nem sempre é o que dá certo.

Ricardo Melo

Terça-feira, Junho 23, 2009

É tempo de envelhecer, cancerianos

Estamos próximos de envelhecer mais uma vez. Todo ano é assim.
Chegam os momentos que antecedem essa data e começam as reflexões. Não me diga que com você é diferente. Pode até ser, mas não irei acreditar, pois pra mim é tão profundo que prefiro achar que todos passam por isso.
Já não sentimos tanto aquela euforia, companheira nos bons tempos de 14 anos. Até buscamos esse sentimento guardado no baú emocional, só que ele não volta. Sentir ou não deixa de ser a questão, o fato é que muda, simplesmente.
Os presentes, pacotes, embrulhos já não representam muito. Queremos amigos, pessoas para compartilhar emoções, idéias e alegrias. Desejamos a presença deles para que possam sentir um pouco da nossa idade, mesmo sendo mais novos ou mais experientes. Juntos, voamos nos pensamentos, imaginando como será daqui a dez anos, vinte e muito mais. Entretanto, uma união sincera nos reúne como se não existisse o amanhã. Compartilhamos o medo de passar para os planos invisíveis e a felicidade de viver o presente.
Comida, sim, uma boa comida para comemorar. O sabor da vida é intenso, com mais pimenta, curry, salsinha, manjericão...
Nesses devaneios de tempos precedentes a data especial, até questionamo-nos se devemos realmente festejar mais um ano. Bobice. É aquele medinho de saber que alcançou uma idade mais avançada, inimaginável na infância. Percebemos que com o tempo o padrão estético imposto pela sociedade vai deixando alguns de lado, outros, nesses parâmetros, ficam mais belos. E nós? No entanto, para quê a preocupação? São, como dito, padrões.
Rabugentos em potencial afloram e os amáveis assumem uma ternura sem adjetivos. Por fim, aprendemos que algumas pessoas consideram-nos rabugentos e outras nos sentem ternos. Ninguém agrada todo mundo e nem por isso deixamos de tentar, nem com a idade.
Boa parte da vida passou e muitos sonhos tornaram-se realidade, só o caminho para alcançá-los foi diferente da imaginação.
Um leve peso nos ombros aumenta aos poucos, para podermos suportar, e chama-se responsabilidade. Vemos um desconhecido senhor ou senhora passando, colocamo-nos imediatamente em seu lugar. Isso não acontecia com freqüência na juventude. Pensamos nas coisas boas experimentadas por ele a ponto de questionarmo-nos sobre nosso aproveitamento. Quase nunca refletimos sobre as antigas malandragens vivenciadas pelo idoso, mas as nossas estarão na lembrança e tenha certeza de que as dele também estão. A velhice nos protege com ar de fragilidade, mesmo que para alguns isso seja desnecessário.
Calma. Talvez não seja ainda o momento de ir tão longe. Mais um ano despontando ou um que se foi? Os dois. Os valores mudam, sutilmente. A experiência acumulada desperta a sensação de vulnerabilidade, potencializando o valor de existir agora. Temos mais certeza do poder das decisões.
Que coisa! Percebemos que não levamos o dinheiro para o caixão, mas que o mesmo, paga o enterro. Então desajeitados equilibramos essa bandeja sem saber o fim da história.
A idade carrega mistérios e nos aproxima de um ponto de interrogação.
Bom é saber da existência dos amigos, a única coisa que acalma o coração.

Ricardo Melo

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Nossos alimentos

Capítulo do livro Eu me lembro..., Mestre DeRose.

Comíamos muitos cereais, raízes, frutas e hortaliças, ovos, leite, coalhada, queijo e manteiga. Algumas tribos do noroeste alimentavam-se também de peixes, mas na nossa região considerávamos primitivismo agarrar um animal, ave ou peixe, matá-lo brutalmente e devorá-lo como fazem os mais selvagens predadores.

Nós nos afeiçoávamos às cabras e búfalos, mas não conseguíamos sentir afeição pelos tigres que matavam e dilaceravam nossos animais e parentes. A maior parte das famílias já havia perdido pelo menos um ente querido morto por algum animal carnívoro. Não podíamos descer ao mesmo nível animalesco dessas feras.

Como observávamos muito a natureza à nossa volta, percebíamos que os animais vegetarianos eram amistosos e podiam ser amansados a ponto de trabalhar conosco; e os deixávamos dormir ao nosso lado sem perigo de sermos atacados por eles no meio da noite. Nenhum animal carnívoro pôde ser domesticado para trabalhar para nós, para ser montado ou para puxar uma carroça. Somente o cão se afeiçoou ao homem e, mesmo assim, não nos dava leite nem puxava nossos arados e só servia para a guarda, muitas vezes representando perigo para nossos vizinhos.

Notamos também diferenças entre as tribos, que podiam ser atribuídas aos hábitos alimentares. O corpo dos que não abatiam animais para se alimentar de suas carnes mortas era mais saudável, a pele bonita e macia, o semblante apaziguado e amistoso. Os do noroeste, além de serem fisicamente mais rudes, quando algo os desagradava aceitavam tranqüilamente sangrar o desafeto, pois estavam habituados a derramar sangue dos animais.

Nossas comidas também eram mais saborosas e aromáticas. Certa vez provamos da comida feita por um clã nômade que nos visitara. Às carnes, é claro, tivemos repulsa e não admitimos colocá-las na boca, até por uma questão de higiene. Mas alguns vegetais que as acompanhavam, aceitamos. Não tinham gosto de nada. Era como se eles achassem que comida era a carne, e que esta não precisava de temperos. O resto não merecia nenhum cuidado especial. Quando lhes oferecemos nossos vegetais preparados em fornos, com leite e manteiga, condimentados com ervas e sementes aromáticas, largaram de lado a deles e preferiram a nossa comida. Também nos pareceu que não conheciam a arte de fazer pão, pois, sendo nômades, não plantavam os cereais e, assim, davam preferência à caça e à pesca.

Tínhamos vários tipos de pão, cada qual com uma seleção de grãos e ervas, e com um formato diferente. Porém, era sempre pesado e duro. Quando perguntei à minha mãe se não podia ser mais macio, ela riu, fez uma careta e não me respondeu. Fiz-lhe outra careta e continuei mastigando meu pedaço de pão. Mais tarde, descobri que podia deixá-lo um pouco no leite e conseguia a maciez desejada.

Uma iguaria que preparávamos era uma combinação de grãos, deixados de molho em água e ervas aromáticas durante a noite. No verão, comíamos esse prato cru, acompanhado de coalhada. No inverno, o cozinhávamos e nos servíamos dele ainda fumegando.

Nossa família tinha um carinho especial por um arbusto que dava umas sementes redondas, escuras e brilhantes, que eram moídas e guardadas para serem adicionadas a algumas receitas. Além de perfumar o alimento e enriquecer o sabor, dizia-se que tinha a propriedade de aumentar a energia para o trabalho e evitar doenças.


Por DeRose

www.uni-yoga.org/blogdoderose